10552367_347096858778128_1030887360947811688_n

Apesar de eu já ter feito um texto sobre o medo de tomar grandes decisões ou trocar de país, ainda recebo milhares de emails com perguntas como “se eu me arrependi” ou “se sinto muita falta do Brasil”. Confesso que é bastante estranho ler por aí que eu sou um exemplo de coragem por ter largado tudo assim, da noite pro dia. Gente, eu não sou exemplo de nada! Aliás, como diria a mãe de vocês, eu sou o exemplo do mau exemplo hahahahaha.

Junto com as perguntas, também vem os pedidos de conselho: “o que você acha que eu devo fazer? Devo largar tudo também e mudar de vida?” E mais uma vez eu digo: não sou a melhor pessoa pra te responder isso, porque querendo ou não, essa é uma decisão só sua. Lá na frente, quem vai enfrentar perrengue, é você meu amor.

Caso você esteja nesse dilema, o que eu quero que você entenda é que a minha situação na época que eu decidi sair do Brasil talvez seja muito diferente da sua. O que eu posso dizer e que talvez vá te ajudar é: ponha na balança. Se necessário, faça uma listinha com prós e contras. De coração, funciona! Claro que você precisa se planejar e tomar muito cuidado com o que vai vir pela frente, mas acima de tudo, para tomar essa decisão é preciso avaliar se você está feliz no trabalho, se gosta do que estuda e a carreira que segue, se tem uma boa relação com a família, se é apegada ou se adapta fácil, se depende das amigas até para ir no banheiro da balada ou se vai a um show sozinha, por exemplo. A sua personalidade e a sua base de vida (principalmente familiar!) contam muito nisso. Eu, por exemplo, apesar de extremamente carente, sempre fui desapegada. A minha família, apesar dos esforços, nunca foi um exemplo de união, então pode ter certeza que metade dos meus problemas e choros de madrugada quando eu tinha que lidar com alguma situação ruim teriam sido muito menos difíceis se eu tivesse um apoio familiar, digamos. Só uma irmã poderia me ouvir, mas o que eu quero dizer é que quando você tem pai e mãe e sabe que independente da sua decisão, eles estarão com você, é de longe, um sentimento melhor.

Posso afirmar com certeza que eu fui uma criança e uma adolescente até tranquila, mas como diz um amigo da família, eu fugi do controle da minha mãe muito rápido, principalmente no último ano. Depois, veio 2014 com milhares de tarefas e provas para cumprir, mas nada disso vinha com um manual de instruções pra deixar a caminhada mais fácil. Vocês só sabem a parte bonita da coisa e claro que eu tive muitos (e bota muitos nisso!) momentos bons. Guardo lembranças que me abrem um sorriso no rosto sempre que varro a mente em busca delas, e com certeza, vou levar pro resto da vida, mas o outro lado da moeda ninguém conta. Ou melhor, até conta, mas você só vai entender quando viver aquilo.

Eu nunca tive um plano de vida para sair de casa. Pra ser sincera, eu nunca tinha cogitado essa ideia e nem conseguia nem me ver morando num lugar que não fosse aquela casa, até tudo acontecer. Independente de qual seja a sua situação, indo morar sozinha, indo morar com o namorado, mudando de estado pra faculdade, ou de país para experiência de vida, tenha em mente que não será fácil. Haverá altos e baixos, haverá dias que você vai entrar no banho e ficar lá por horas só pra chorar, talvez se arrependa de algumas escolhas e pode ter certeza, que vai chegar a hora que o seu único desejo será uma passagem de volta pro seu antigo lar. Claro que vai ter dias que você vai estar tão feliz, mas tão feliz que vai ter certeza que essa foi a decisão mais certeira da sua vida, e mesmo nos dias tristes, lembre-se que ainda sim, foi uma decisão certa, porque de uma forma ou de outra, isso está te tornando mais forte. Costumo dizer que ninguém se alimenta só olhando o cardápio, assim como ninguém consegue experiência apenas lendo livro.  É preciso, acima de tudo, viver!

Por isso, aqui vai a minha dica: se você puder sair, saia. Se você puder se mudar, se mude! Agora, pra ontem, o quanto antes! Vá sim, mas por você, e mais ninguém. Quando a gente pensa demais, o medo cresce e a chance de desistir aparece junto. Se você é independente, sozinha, e dona do seu nariz, qual o problema em mudar o caminho que a sociedade impôs? Pode não ser a hora certa, pode ser que você quebre a cara e desista no primeiro problema, mas isso você só vai descobrir tentando, e tenha certeza que independente do que vai acontecer, você vai sempre tirar uma lição disso. Seja uma viagem de dois dias ou de dois anos, a bagagem que você vai ter na volta não caberia dentro desse post e isso será única e exclusivamente seu.

Caso vocês sintam necessidade, posso fazer um post contando tudo que eu aprendi depois que sai de casa/Brasil. Mas agora me conta: você mora sozinha ou longe dos pais? Qual foi a decisão mais difícil que você tomou? 

41 Comentários

Você também poderá gostar de:

 

CAPA POSTA gente sempre sente falta de alguma coisa. Isso é um fato, aceite. Talvez por isso eu ainda não tenha pirado. Antes de sair de casa eu sabia que sentiria falta de muita coisa, e, eu jurava que se aproveitasse até o último segundo aquele momento, demoraria mais para a saudade chegar. Engano meu! Aproveitando ou não, ela sempre vem, cedo demais, forte demais, avassaladora demais.

O coração aperta tanto, mas tanto, que fica difícil respirar. Você pode estar vivendo a melhor época da sua vida, o seu melhor eu, e mesmo assim, a saudade entra na sua casa sem que a porta esteja aberta. Sem ser convidada. E fica. Por um dia, dois, ou talvez três. Quem sabe uma semana, ou se deixar, pra sempre.

Das coisas que eu mais sinto falta, com certeza diria da minha adolescência. Da rebeldia, da vontade de viver e fazer o que eu bem quisesse. Não faz muito tempo desde que fiz a minha última rebeldia, mas, com o passar dos dias eu fui ficando pensativa,  paciente, cuidadosa, e as vezes até preguiçosa. Passei a ter enjoo de briga, e comecei a aceitar até mesmo o que eu nem queria aceitar.

Outra coisa que mudou bastante por aqui foi a responsabilidade. A distância faz a gente amadurecer, mas, também nos torna extremamente frágeis. Eu, por exemplo, me tornei chorona. Tudo o que me restou da minha antiga vida, foram fotos e lembranças. Fotos velhas e fotos novas. Fotos daquele dia que fui para a capital escondida para conhecer minha melhor amiga da internet. Foto da época do ensino fundamental. Foto da minha última visita a cidade em que passei a maior parte dos anos. Ah, aquela praia!

Por mais que eu ame esse lugar, essa família, todas essas casas bonitinhas e essas cenas de filme americano, eu sempre vou lembrar de onde eu vim.  Já me perguntaram milhares de vezes se eu quero voltar atrás e pegar o próximo avião para o Brasil, e a resposta sempre foi (e será) NÃO! Percebi que sou metade americana e metade brasileira, e que, infelizmente, a gente não pode ter tudo nessa vida. E devo admitir, Brasil, é uma delícia andar na rua e ter a certeza de que na próxima esquina tem o melhor pão de queijo do mundo! E aquele açaí com leite em pó? Não preciso nem falar da coxinha com guaraná.

Então, quer saber o que mais doi? Ver meu sobrinho crescendo, aprendendo a escrever o próprio nome e não estar lá pra segurar a mão dele. Dói passar o aniversário da minha irmã longe dela, sem poder dar um abraço. Dói conhecer pela internet a minha sobrinha-neta que acabou de nascer. Dói não poder ajudar meu irmão na cozinha pra preparar um churrasco, mesmo que ele já nem queira mais falar comigo.  Posso jurar que sinto falta até dos gritos da minha mãe. Dói não poder ligar para uma amiga para passear no shopping, fofocar ou só comer brigadeiro de colher assistindo um filme romântico. Essas são coisas que a internet ajuda, mas não resolve.

Por isso, saudade, prometo trabalhar muito para trazer tudo aquilo que eu sinto falta, pra bem pertinho de mim, e a senhora não vai me impedir! Nem adianta entrar nessa casa e montar acampamento, porque eu não te quero aqui. Por agora, vou enfiar todos esses sentimentos e faltas dentro de uma mala e largar lá. Até quando der. E se hoje eu tivesse a chance de fazer um pedido, não perderia tempo em escolher a época  em que a minha única saudade, era de voltar pra escola depois das férias.

16 Comentários

Você também poderá gostar de: