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Enquanto muita gente diz que quem vive de passado é museu, eu sou da opinião de que o passado pode nos ajudar e que jamais devemos nos esquecer dele. Por alguns anos da minha vida meu único pedido era esquecer que vivi certas coisas para que a dor pudesse ir embora. Mas hoje eu vejo que se eu esquecesse de quem eu fui ou do que eu passei, jamais seria quem eu sou hoje.

Eu, Larissa, nunca fui  alguém popular e cheia de amigas. Sempre achei que o problema não era comigo, e sim com as outras meninas da escola que eram egoístas e chatas demais pra abrirem um espaço pra mim na turma delas. Por muito tempo eu jurava que não sabia exatamente o POR QUÊ eu era a excluída.

Quando fui para o Eua no ano passado muita coisa mudou em poucos meses. Por dentro e por fora, mas principalmente por dentro. Eu sabia que esse tipo de coisa iria acontecer, afinal, quando a gente sai de casa, conhece outra cultura e passa perrengue, somos obrigados a mudar, né? Com o blog eu comecei a receber mensagens cheia de carinho de gente que eu nunca vi na vida, mas que dizia que eu tinha ajudado de alguma forma com os meus textos e um pouco de atenção no chat do facebook. Fiz um montão de amizade e tudo isso além de incrivel era muito novo pra mim!

Até que semana passada fiquei revirando meu facebook, olhando fotos, posts e mensagens antigas, e foi ai que eu me dei conta do porque eu era sempre a última escolhida nos trabalhos em grupo. Enquanto eu lia aquelas coisas senti um nojo gigantesco de mim. Tenho que confessar que a Larissa do presente sentiu uma vontade enorme de dar uma surra na Larissa do passado, e para aqueles que me aguentam desde aquela época, ai vai o meu muito obrigada; Eu sabia que eu era chata e, por falta de melhor palavra, bem cuzona com os outros, mas eu não me lembrava que eu era TÃO ruim. Me senti péssima por saber que magoei tanta gente e (ainda) não consegui o perdão de todas elas. Não que isso justifique o erro, mas tenho pra mim que nós somos o reflexo daquilo que temos em casa e do que vivemos. Eu não era assim porque queria, mas porque foi o que eu aprendi a ser. No fundo, bem lá no fundo, existia alguém melhor do que aquilo que eu mostrava ao próximo.

Lembra o que eu disse sobre a importância de não esquecer o passado? Pois então, agora uso ele como lição para não errar mais, ou pelo menos, tratar o próximo melhor. Com mais carinho, cuidado e médias palavras. Posso não me orgulhar de quem eu fui, mas com certeza me orgulho de quem eu sou. É o que eu costumo dizer: você já sabe onde esteve, agora precisa olhar pra frente!

Agora eu te pergunto: você tem orgulho ou vergonha do seu eu do passado?

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Apesar de eu já ter feito um texto sobre o medo de tomar grandes decisões ou trocar de país, ainda recebo milhares de emails com perguntas como “se eu me arrependi” ou “se sinto muita falta do Brasil”. Confesso que é bastante estranho ler por aí que eu sou um exemplo de coragem por ter largado tudo assim, da noite pro dia. Gente, eu não sou exemplo de nada! Aliás, como diria a mãe de vocês, eu sou o exemplo do mau exemplo hahahahaha.

Junto com as perguntas, também vem os pedidos de conselho: “o que você acha que eu devo fazer? Devo largar tudo também e mudar de vida?” E mais uma vez eu digo: não sou a melhor pessoa pra te responder isso, porque querendo ou não, essa é uma decisão só sua. Lá na frente, quem vai enfrentar perrengue, é você meu amor.

Caso você esteja nesse dilema, o que eu quero que você entenda é que a minha situação na época que eu decidi sair do Brasil talvez seja muito diferente da sua. O que eu posso dizer e que talvez vá te ajudar é: ponha na balança. Se necessário, faça uma listinha com prós e contras. De coração, funciona! Claro que você precisa se planejar e tomar muito cuidado com o que vai vir pela frente, mas acima de tudo, para tomar essa decisão é preciso avaliar se você está feliz no trabalho, se gosta do que estuda e a carreira que segue, se tem uma boa relação com a família, se é apegada ou se adapta fácil, se depende das amigas até para ir no banheiro da balada ou se vai a um show sozinha, por exemplo. A sua personalidade e a sua base de vida (principalmente familiar!) contam muito nisso. Eu, por exemplo, apesar de extremamente carente, sempre fui desapegada. A minha família, apesar dos esforços, nunca foi um exemplo de união, então pode ter certeza que metade dos meus problemas e choros de madrugada quando eu tinha que lidar com alguma situação ruim teriam sido muito menos difíceis se eu tivesse um apoio familiar, digamos. Só uma irmã poderia me ouvir, mas o que eu quero dizer é que quando você tem pai e mãe e sabe que independente da sua decisão, eles estarão com você, é de longe, um sentimento melhor.

Posso afirmar com certeza que eu fui uma criança e uma adolescente até tranquila, mas como diz um amigo da família, eu fugi do controle da minha mãe muito rápido, principalmente no último ano. Depois, veio 2014 com milhares de tarefas e provas para cumprir, mas nada disso vinha com um manual de instruções pra deixar a caminhada mais fácil. Vocês só sabem a parte bonita da coisa e claro que eu tive muitos (e bota muitos nisso!) momentos bons. Guardo lembranças que me abrem um sorriso no rosto sempre que varro a mente em busca delas, e com certeza, vou levar pro resto da vida, mas o outro lado da moeda ninguém conta. Ou melhor, até conta, mas você só vai entender quando viver aquilo.

Eu nunca tive um plano de vida para sair de casa. Pra ser sincera, eu nunca tinha cogitado essa ideia e nem conseguia nem me ver morando num lugar que não fosse aquela casa, até tudo acontecer. Independente de qual seja a sua situação, indo morar sozinha, indo morar com o namorado, mudando de estado pra faculdade, ou de país para experiência de vida, tenha em mente que não será fácil. Haverá altos e baixos, haverá dias que você vai entrar no banho e ficar lá por horas só pra chorar, talvez se arrependa de algumas escolhas e pode ter certeza, que vai chegar a hora que o seu único desejo será uma passagem de volta pro seu antigo lar. Claro que vai ter dias que você vai estar tão feliz, mas tão feliz que vai ter certeza que essa foi a decisão mais certeira da sua vida, e mesmo nos dias tristes, lembre-se que ainda sim, foi uma decisão certa, porque de uma forma ou de outra, isso está te tornando mais forte. Costumo dizer que ninguém se alimenta só olhando o cardápio, assim como ninguém consegue experiência apenas lendo livro.  É preciso, acima de tudo, viver!

Por isso, aqui vai a minha dica: se você puder sair, saia. Se você puder se mudar, se mude! Agora, pra ontem, o quanto antes! Vá sim, mas por você, e mais ninguém. Quando a gente pensa demais, o medo cresce e a chance de desistir aparece junto. Se você é independente, sozinha, e dona do seu nariz, qual o problema em mudar o caminho que a sociedade impôs? Pode não ser a hora certa, pode ser que você quebre a cara e desista no primeiro problema, mas isso você só vai descobrir tentando, e tenha certeza que independente do que vai acontecer, você vai sempre tirar uma lição disso. Seja uma viagem de dois dias ou de dois anos, a bagagem que você vai ter na volta não caberia dentro desse post e isso será única e exclusivamente seu.

Caso vocês sintam necessidade, posso fazer um post contando tudo que eu aprendi depois que sai de casa/Brasil. Mas agora me conta: você mora sozinha ou longe dos pais? Qual foi a decisão mais difícil que você tomou? 

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Imagine que você descobriu há uma semana que tem um câncer no cérebro em estágio 2, que não tem cura e sua expectativa de vida é em torno de 3 a 10 anos. Agora imagine que hoje, 7 dias depois, você descobre que seu câncer foi para o estágio 4 e você só tem mais 6 meses de vida. Qual seria a sua reação? A minha, provavelmente, seria chorar por semanas. Isso se é que eu conseguiria parar.

Essa história é real, e você pode conferir no vídeo que a Brittany Maynard fez clicando aqui. O vídeo é todo em inglês, mas basicamente conta a história da Brittany, que descobriu que tinha câncer pouco tempo depois do casamento e em janeiro desse ano os médicos disseram que ela tinha poucos meses de vida. No meio das voltas que a vida dá, ela se mudou para Oregon, onde há uma lei que você pode “morrer com dignidade”. Ela decidiu, então, que gostaria de morrer dia 1 de novembro desse ano,  no quarto dela, deitada na cama, rodeada pela família, marido e melhor amiga. Essa data foi escolhida porque ela quer passar o aniversário do marido com ele, que é no dia anterior.  (muito triste)

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Isso tudo me deixou bem pensativa. Na verdade, falar sobre a morte sempre me deixou bem pensativa. Tanto que as vezes eu não gosto nem de lembrar! Eu não consigo aceitar que a nossa vida aqui é temporária e que depois disso tudo… bum! Acabou. Então porque diabos nós nascemos? Porque somos obrigamos a crescer, criar sentimentos pelos outros, expectativas, sonhos… pra chegar um dia e tudo acabar de uma hora pra outra? Com tanta coisa pra gente fazer, tanto lugar pra conhecer, tanta conta pra pagar, porque é que a gente tem que morrer assim, sem mais, nem menos?

Eu juro que já tentei entender, já me obriguei a acreditar que isso é um portal e tem outra vida lá do outro lado, mas a verdade é que morrer me assusta. Não só porque eu não vou acordar no outro dia, ou porque nunca mais vou ouvir uma risada gostosa de quem eu amo, mas também pela forma de como eu vou morrer. Será que dói? Será que é libertador? Será que eu vejo a minha vida toda passar na frente dos meus olhos como nos filmes?

Pedro Bial uma vez falou sobre a morte, e de longe, é um dos meus textos preferidos. Você pode encontrar o orignial no google, mas eu cortei nos principais fragmentos que descreve exatamente como eu me sinto com tudo isso: “Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? Não sei de onde tiraram esta idéia: MORRER!!! A troco de que? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida e mais uma vez foi em frente… De uma hora pra outra, tudo isso termina.

Morrer obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Por isso viva tudo que há para viver. Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da vida… perdoe… sempre! Adiar…Adiar…Adiar…será Sempre o melhor dos caminhos?”

Vocês sabem bem que eu sigo essa filosofia de vida e não é atoa que hoje estou do outro lado do mundo. Tem que ser bem porra louca pra largar tudo assim, admito. Se amanhã ou depois nada der certo, paciência, mas eu tenho certeza de que meu tempo nessa terra não foi em vão. De que eu sambei na cara da sociedade ditando o que eu quero fazer e pronto. Todo mundo tem seus momentos de dúvida, tristeza e questionamentos, mas no fim das contas eu sou muito feliz pelas minhas escolhas. Não tenho certeza se teria forças pra planejar a minha morte, como o caso da Britanny, mas tudo isso me deixou curiosa pra saber sobre vocês: se fosse o seu caso, planejaria ou deixaria acontecer naturalmente? Você aceita bem a morte, ou fica neurótica como eu? Acredita que esse é um portal e que existe vida do outro lado, ou tem alguma teoria? Me deixa nos comentários, talvez você consiga até acalmar meu coraçãozinho medroso! (sorrisão verde)

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