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Oi Lari de 30. Aqui é a sua outra eu. A Lari de 20.  Sei que parece confuso, mas você deve sentir saudade de mim. Eu estou ansiosa para saber como e por onde você anda! Por isso hoje escrevo: Pra saber como você está, e se ainda lembra de quem era. Da onde saiu e das coisas que gostaria de fazer antes dos 30.

Você ainda é chorona? Espero que seja mais calma e menos malcriada também! Rebeldia é para adolescente e você já é uma mulher! E aquele seu namorado americano, conseguiu te fazer ser uma pessoa mais forte e fria? Falando em namorado, o que aconteceu com ele? Vocês casaram na praia como você sempre sonhou? Aposto que seu vestido era longo e você usava uma coroa de flores! Consigo me lembrar da sua animação quando dizia como seria seu casamento! Eu espero que vocês estejam felizes agora, e que você finalmente tenha uma cozinha inteira pra cuidar da alimentação do seu marido com o amor e carinho que você planejava! Não esqueça de me contar o nome dos três cachorrinhos que você queria ter, se é que eles já estão na sua vida! Estou curiosa sobre aquela sala especial para filmes com os amigos que você disse que iriam fazer. Tomara que tenha conseguido instalar aquele teto de vidro pra olhar as estrelas de dentro de casa, foi uma ideia genial!

Eu fico aqui de longe imaginando como você está se sentindo hoje. Se já conseguiu perdoar seu pai, e se voltou a falar com a sua mãe. Tenho certeza que nos últimos anos a vida te ensinou muita coisa. A propósito, você mudou o modo de se vestir, não é? Também, com essa sua vida cheia de eventos, você tinha que deixar de ser um pouco largada e aposentar aquele all star imundo! E esse cabelo enorme? Ta fantástico! Eu quase não te reconheço mais. E não vou nem precisar falar das tatuagens novas… ficaram bonitas, mas não exagere!

Todos os dias rezo para que o tempo te ensine a ser mais madura e menos sensível a tudo. Espero, de coração, que você tenha aprendido a perdoar e tenha conseguido o perdão de outras pessoas. Não importa onde você esteja, tenho certeza que está ajudando os outros. Me envie um postal, vou adorar conhecer mais um buraco desse mundão de meu Deus que a Larissa na estrada se enfiou. Fico aliviada de saber que você está bem aí no futuro, e quando se sentir com medo, olhe para o seu braço direito. Deixei uma mensagem tatuada lá, espero que te dê forças.

Ps: Você continua magra né?

Com amor, a Larissa dos 20.

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E você, me conta nos comentários: já pensou em escrever uma carta para o seu eu do futuro? Se fizer esse post me manda o link, vou adorar ler! (lingua)  (lingua)  (lingua)

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Já foi o tempo que viajar era algo impossível. Existem milhares de formas de se conhecer outros solos. O que cabe no seu bolso? Dá pra se organizar, deixar de comprar um sapato, em troca de um almoço durante a viagem. Mas hoje, a grande pergunta é: E quando o seu medo te faz ficar cada vez mais longe do seu sonho?

Eu nunca imaginei que pudesse visitar outro país. Morar, muito menos. Se você é curiosa, provavelmente já passou no sobre para me conhecer melhor. Lá eu conto a minha história, e que junto com esse post, pode te encorajar um pouco mais. E quer saber uma verdade? Pra mudar o seu futuro, não é preciso sorte. Você só tem que ter vontade!

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Muita gente diz que é complicado seguir um sonho quando alguém não concorda com a sua opinião. Talvez você queira ser astronauta, mas seu pai quer que você seja médico. E se você quiser ser astronauta, alguém vai aparecer e dizer que você não tem capacidade pra isso. Gente assim, existe em todo lugar. Até mesmo dentro de casa. Mas quer saber, porque eu to dizendo tudo isso? Porque eu não quero, nunca, que você se limite. Na cabeça da antiga Larissa, morar em outro país era coisa que não cabia na minha encarnação. E onde é que eu estou hoje? A pior coisa do mundo, não é quando alguém te aponta o dedo e diz que você não consegue. A pior coisa do mundo é quando você se olha no espelho e acha que não consegue. E eu to aqui pra te contar que você tem mais força do que imagina!

Sair da zona de conforto dói. Fazer as malas e dar um abraço de despedida na mãe também dói. Se a gente não sabe a data de retorno, pior ainda. Quando você troca de país o choque cultural é enorme. Você passa a reconstruir sua vida, perde alguns amigos e faz outros. A distância faz a saudade aumentar e, pior: você sempre vai ser estrangeiro. Você não nasceu ali. E por mais que ame aquele lugar, jamais será a sua verdadeira casa. Mas calma, não se apavore! Também tem vantagem: Se redescobrir é uma delícia. Desapegar de coisa velha e só levar o que é importante para a nova vida é saudável. O seu mundo fica maior e você percebe que estamos rodeados de possibilidades.

Pode parecer desesperador no começo. Muita gente vai te chamar de louca. De inconsequente. E se você tiver acima dos trinta, pode ter certeza que vai ser acusada de adolescente rebelde depois da idade. Mas ser adolescente é uma delícia. Dançar conforme a música é libertador. 

Não tem problema se você quiser estudar por anos, pra não usar nada daquilo no seu novo emprego. Se você preferir trabalhar numa profissão estressante, mas que te paga melhor. Ou se você escolher ser dona de casa e ter cinco filhos. Não tem problema! Se esse é o seu sonho, vá em frente! Mas, se o seu sonho ainda for ser astronauta, e você escolher outro caminho, não adianta tentar culpar alguém quando se sentir infeliz, porque o lápis que escreve a sua história está na sua mão! Qualquer situação nova dá medo. Mas fingir que ele não existe é tapar o sol com a peneira. Enganar a si mesmo. É limitar-se. E acima de tudo, é permitir que a sua vida seja em vão.

Mas me conta uma coisa: a criança que você foi, teria orgulho do adulto que você se tornou? E quando tudo isso aqui acabar? E quando você morrer? As vezes a gente precisa levar a vida um pouco menos a sério, e se entregar pro mundo, pras vontades e pros sonhos. Você não escolhe de onde você veio. Mas você pode escolher para onde quer ir. Se a sua vontade é trocar de país, aprender outra língua, ou seilá, atravessar a europa a pé, por que não?

E se quer uma dica de amiga: leia o livro O alquimista de Paulo Coelho. Prometo que ele vai te ajudar a não desistir dos seus sonhos. Seja forte. Você só vive uma vez!

Então me conta, nos comentários. Qual é o seu sonho? Pra onde você quer ir? Quem você quer ser? E, antes de tudo: o que é que você ainda está esperando?

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CAPA POSTA gente sempre sente falta de alguma coisa. Isso é um fato, aceite. Talvez por isso eu ainda não tenha pirado. Antes de sair de casa eu sabia que sentiria falta de muita coisa, e, eu jurava que se aproveitasse até o último segundo aquele momento, demoraria mais para a saudade chegar. Engano meu! Aproveitando ou não, ela sempre vem, cedo demais, forte demais, avassaladora demais.

O coração aperta tanto, mas tanto, que fica difícil respirar. Você pode estar vivendo a melhor época da sua vida, o seu melhor eu, e mesmo assim, a saudade entra na sua casa sem que a porta esteja aberta. Sem ser convidada. E fica. Por um dia, dois, ou talvez três. Quem sabe uma semana, ou se deixar, pra sempre.

Das coisas que eu mais sinto falta, com certeza diria da minha adolescência. Da rebeldia, da vontade de viver e fazer o que eu bem quisesse. Não faz muito tempo desde que fiz a minha última rebeldia, mas, com o passar dos dias eu fui ficando pensativa,  paciente, cuidadosa, e as vezes até preguiçosa. Passei a ter enjoo de briga, e comecei a aceitar até mesmo o que eu nem queria aceitar.

Outra coisa que mudou bastante por aqui foi a responsabilidade. A distância faz a gente amadurecer, mas, também nos torna extremamente frágeis. Eu, por exemplo, me tornei chorona. Tudo o que me restou da minha antiga vida, foram fotos e lembranças. Fotos velhas e fotos novas. Fotos daquele dia que fui para a capital escondida para conhecer minha melhor amiga da internet. Foto da época do ensino fundamental. Foto da minha última visita a cidade em que passei a maior parte dos anos. Ah, aquela praia!

Por mais que eu ame esse lugar, essa família, todas essas casas bonitinhas e essas cenas de filme americano, eu sempre vou lembrar de onde eu vim.  Já me perguntaram milhares de vezes se eu quero voltar atrás e pegar o próximo avião para o Brasil, e a resposta sempre foi (e será) NÃO! Percebi que sou metade americana e metade brasileira, e que, infelizmente, a gente não pode ter tudo nessa vida. E devo admitir, Brasil, é uma delícia andar na rua e ter a certeza de que na próxima esquina tem o melhor pão de queijo do mundo! E aquele açaí com leite em pó? Não preciso nem falar da coxinha com guaraná.

Então, quer saber o que mais doi? Ver meu sobrinho crescendo, aprendendo a escrever o próprio nome e não estar lá pra segurar a mão dele. Dói passar o aniversário da minha irmã longe dela, sem poder dar um abraço. Dói conhecer pela internet a minha sobrinha-neta que acabou de nascer. Dói não poder ajudar meu irmão na cozinha pra preparar um churrasco, mesmo que ele já nem queira mais falar comigo.  Posso jurar que sinto falta até dos gritos da minha mãe. Dói não poder ligar para uma amiga para passear no shopping, fofocar ou só comer brigadeiro de colher assistindo um filme romântico. Essas são coisas que a internet ajuda, mas não resolve.

Por isso, saudade, prometo trabalhar muito para trazer tudo aquilo que eu sinto falta, pra bem pertinho de mim, e a senhora não vai me impedir! Nem adianta entrar nessa casa e montar acampamento, porque eu não te quero aqui. Por agora, vou enfiar todos esses sentimentos e faltas dentro de uma mala e largar lá. Até quando der. E se hoje eu tivesse a chance de fazer um pedido, não perderia tempo em escolher a época  em que a minha única saudade, era de voltar pra escola depois das férias.

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