Imagine que você descobriu há uma semana que tem um câncer no cérebro em estágio 2, que não tem cura e sua expectativa de vida é em torno de 3 a 10 anos. Agora imagine que hoje, 7 dias depois, você descobre que seu câncer foi para o estágio 4 e você só tem mais 6 meses de vida. Qual seria a sua reação? A minha, provavelmente, seria chorar por semanas. Isso se é que eu conseguiria parar.

Essa história é real, e você pode conferir no vídeo que a Brittany Maynard fez clicando aqui. O vídeo é todo em inglês, mas basicamente conta a história da Brittany, que descobriu que tinha câncer pouco tempo depois do casamento e em janeiro desse ano os médicos disseram que ela tinha poucos meses de vida. No meio das voltas que a vida dá, ela se mudou para Oregon, onde há uma lei que você pode “morrer com dignidade”. Ela decidiu, então, que gostaria de morrer dia 1 de novembro desse ano,  no quarto dela, deitada na cama, rodeada pela família, marido e melhor amiga. Essa data foi escolhida porque ela quer passar o aniversário do marido com ele, que é no dia anterior.  (muito triste)

dxs

foto: aqui

Isso tudo me deixou bem pensativa. Na verdade, falar sobre a morte sempre me deixou bem pensativa. Tanto que as vezes eu não gosto nem de lembrar! Eu não consigo aceitar que a nossa vida aqui é temporária e que depois disso tudo… bum! Acabou. Então porque diabos nós nascemos? Porque somos obrigamos a crescer, criar sentimentos pelos outros, expectativas, sonhos… pra chegar um dia e tudo acabar de uma hora pra outra? Com tanta coisa pra gente fazer, tanto lugar pra conhecer, tanta conta pra pagar, porque é que a gente tem que morrer assim, sem mais, nem menos?

Eu juro que já tentei entender, já me obriguei a acreditar que isso é um portal e tem outra vida lá do outro lado, mas a verdade é que morrer me assusta. Não só porque eu não vou acordar no outro dia, ou porque nunca mais vou ouvir uma risada gostosa de quem eu amo, mas também pela forma de como eu vou morrer. Será que dói? Será que é libertador? Será que eu vejo a minha vida toda passar na frente dos meus olhos como nos filmes?

Pedro Bial uma vez falou sobre a morte, e de longe, é um dos meus textos preferidos. Você pode encontrar o orignial no google, mas eu cortei nos principais fragmentos que descreve exatamente como eu me sinto com tudo isso: “Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? Não sei de onde tiraram esta idéia: MORRER!!! A troco de que? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida e mais uma vez foi em frente… De uma hora pra outra, tudo isso termina.

Morrer obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Por isso viva tudo que há para viver. Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da vida… perdoe… sempre! Adiar…Adiar…Adiar…será Sempre o melhor dos caminhos?”

Vocês sabem bem que eu sigo essa filosofia de vida e não é atoa que hoje estou do outro lado do mundo. Tem que ser bem porra louca pra largar tudo assim, admito. Se amanhã ou depois nada der certo, paciência, mas eu tenho certeza de que meu tempo nessa terra não foi em vão. De que eu sambei na cara da sociedade ditando o que eu quero fazer e pronto. Todo mundo tem seus momentos de dúvida, tristeza e questionamentos, mas no fim das contas eu sou muito feliz pelas minhas escolhas. Não tenho certeza se teria forças pra planejar a minha morte, como o caso da Britanny, mas tudo isso me deixou curiosa pra saber sobre vocês: se fosse o seu caso, planejaria ou deixaria acontecer naturalmente? Você aceita bem a morte, ou fica neurótica como eu? Acredita que esse é um portal e que existe vida do outro lado, ou tem alguma teoria? Me deixa nos comentários, talvez você consiga até acalmar meu coraçãozinho medroso! (sorrisão verde)

36 Comentários

Você também poderá gostar de:

Quando você estiver lendo esse post provavelmente eu vou estar entre as nuvens. Eu juro que pensei por dias em como começaria esse texto. Se você não gosta de draminha, pode parar aqui e pular pro vídeo, prometo que vai ser bonitinho. Mas se você é persistente, pode continuar.

Os dias que passei dentro daquela casa foram incríveis. Nos últimos seis meses fiz coisas que nunca imaginei que teria a oportunidade de fazer em toda a minha vida. Rolei na neve, fiz marshmallow na fogueira, participei de uma caça aos ovos de dinheiro na páscoa e até natal de filme com direito a papai noel, trenó e neve eu tive! Parecia comercial da coca cola, juro! (sorrisão verde)  Cheguei aqui com um inglês pra lá de índio, uma porção de roupas na mala, um coraçãozinho aflito cheio de amor pra dar e principalmente com uma tonelada de carência. Os dias foram passando e mesmo com todas as dificuldades entre estar longe de casa, não dominar a língua e viver entre uma família que não era minha, eu acabei superando. Ainda lembro daquela menina que entrou no avião em dezembro e não consigo acreditar que ela e eu somos (ou fomos) a mesma pessoa. O mais incrível de tudo isso é que o tempo todo eu sabia que não seria fácil, mas eu tinha plena certeza de que valeria a pena.

Só Deus sabe quantas noites chorei me questionando se eu tinha feito a escolha certa. Se era realmente necessário me doar e doar toda a minha vida por alguém. Se eu não tinha cometido um erro ao passar a morar com pessoas que até ontem não conhecia. Ou se, por ventura, tudo isso fosse em vão. Cansei de ler mensagens e perguntas de pessoas que diziam que eu vivia uma vida fake e que logo tudo isso acabaria. Que mais cedo ou mais tarde o meu relacionamento chegaria ao fim e eu ia ter que voltar pra casa. Eu concordo. Tudo isso poderia (e pode!) acontecer. Mas hoje, enquanto olho New York lá embaixo e me despeço com um beijo na janela pude me dar conta de que tudo, tudinho, valeu o esforço e melhor: aconteceu! Foi real! Eu tive uma família unida!

Todo mundo estranha quando digo isso e diariamente me perguntam sobre meus parentes de sangue. Eu não gosto de falar sobre esse assunto, não por agora, enquanto ainda tem uma ferida enorme aberta aqui dentro, mas o que posso dizer é que a vida tira de um lado, mas nos presenteia do outro. Pelos próximos meses seremos eu, meu namorado e um lugar paradisíaco. Apesar de feliz, preciso dizer que não vejo a hora de voltar pra casa e dar um abraço nessa mãe e nesse pai que me adotaram com tanto amor e carinho! Entre todas as lições que aprendi, a mais bonita foi o amor.O que eu recebi por aqui não é mensurável! Não tô dizendo que são todos perfeitos, todo mundo tem dias ruins e toda família tem problema, mas Deus do céu, se vocês soubessem como o amor e a união transformam vidas, jamais se permitiram ser tão egoístas e independentes!

O que eu quero dizer com tudo isso é que, independente do que aconteça amanhã, depois ou em alguns meses, hoje eu saio dessa casa com um sorriso enorme no rosto e com o coração apertado, porém, feliz. Pois sei que sempre será a minha casa, que em poucos meses eu vou voltar e principalmente  porque sei o quanto cada pessoa aqui dentro fez parte da minha história e da construção do meu ser. A saudade vai ser gigantesca, eu sei, mas as vezes a gente não tem escolha a não ser enfrentar os nossos próprios medos e angústias. Hoje digo um até logo com um inglês ainda índio, mas com a certeza de que me tornei uma pessoa melhor, mais iluminada e principalmente mais abençoada. 

Na esperança de lembrar cada detalhe dos últimos momentos, consegui gravar um vídeo de 15 segundos. Que delícia ouvir essa risada! Juro que ainda posso sentir o abraço apertado e o beijo no rosto que essa linda me deu enquanto nos divertíamos com a minha música preferida!

httpv://www.youtube.com/watch?v=yeCPxv2ISEs

Mom, Dad, I will be back soon. Thank you for change my life. Love you! 

64 Comentários

Você também poderá gostar de:

DSC_0027

Pouco antes de me enfiar num avião pela primeira vez em dezembro do ano passado, eu tinha resolvido fazer tatuagem. Fui ao estúdio para fazer uma e acabei saindo com duas. E é essa tatuagem decidida no calor do momento que  mais tem significado pra mim. Eu sabia que tudo mudaria daquele mês para frente. Se seria para melhor ou para pior, ainda era uma incógnita. A minha única certeza é que cada passo depois daquela decisão, eu teria que ser extremamente forte. E foi aí que eu percebi: não adianta ter vontade, se você não tem coragem!

Não demorou muito para os problemas começarem a aparecer. Em que mundo você acha que a vida de alguém é perfeita? A vida é difícil até para aqueles que vivem o que escolheram de coração. Durante anos eu fui uma garota extremamente durona, daquelas que não dava o braço a torcer e nem muito menos choraria por qualquer coisa. Quando a gente troca de ambiente de uma forma tão bruta acabamos ficando mais sensíveis.

Eu não te conheço, eu não sei o que faz da vida e nem muito menos o que tira o seu sono antes de dormir, mas eu quero que você saiba que não está sozinha. O período que se adquire maior conhecimento e experiência são essas fases ruins, e isso você não pode negar. Independente do que você esteja vivendo, saiba que não é pra sempre. Não deixe isso afetar o que há de melhor em você. Você ainda tem tempo de reverter essa situação. Mude de emprego, troque a faculdade, vá morar sozinha, ou bote um fim naquele relacionamento que te magoa tanto. Certas coisas precisam ser acabadas antes que elas acabem com você. E se mesmo assim, você não puder fazer nada nesse instante, não se desespere! Até dezembro muita coisa pode acontecer. Faça seu ano valer a pena! E não importa qual seja a mudança, lembre-se do sentido da vida: pra frente!  (sorrisão verde)

48 Comentários

Você também poderá gostar de: