Diariamente eu recebo perguntas sobre o meu visto e sobre indicações de qual a maneira mais fácil e barata para se morar no Estados Unidos. Não existe maneira fácil, tudo requer esforço, e querendo ou não, você sempre será um imigrante. Houve um tempo que eu pensei em ser au pair, mas acabei não fechando contrato. Por isso, o meu visto é turista, e como vocês estão cansados de saber, ele acaba em agosto. De uns tempos pra cá, com o aumento das perguntas sobre morar fora, eu venho indicando bastante essa opção, porém, nem todo mundo sabe como ela realmente funciona, e os que conhecem um pouco, nunca ouviram relatos sobre a vida de uma Au pair. E no post de hoje vamos falar exatamente sobre isso: como funciona e como é na prática.

O programa Au Pair é basicamente um intercâmbio (geralmente de um ano, porém pode ser estendido) que permite que você more na casa de uma família nativa. Com isso você vai poder acompanhar os costumes, a cultura, estudar a língua do país e trabalhar. Em troca da sua hospedagem e da sua alimentação durante a sua estadia, você precisa cuidar das crianças da família. As idades e as atividades são diferentes de uma pra outra. Você pode cuidar de cinco crianças de uma mesma família, como também pode cuidar de apenas um bebê. Tudo depende da família que você fechar contrato. O preço desse tipo de intercâmbio é variado, mas a média é de 3 a 4 mil reais em gastos com visto, passaporte, seguro, agência e etc. Para participar do programa, é necessário caber em alguns requisitos, como idade, carteira de motorista, experiência com crianças e etc. No geral o intercâmbio é o mesmo, e para saber mais, aconselho que procure uma agência para conversar.

Como eu nunca participei desse tipo de intercâmbio, resolvi convidar a Larissa Freitas para uma entrevista aqui no blog e contar pra gente como é a vida dela aqui nos Estados Unidos.

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Por que decidiu ser au pair? Você cuida de quantas crianças e quais idades?

Eu decidi ser AuPair pois sempre tive o sonho de morar fora do Brasil, e esse é um dos intercâmbios mais baratos de se fazer. Como também sempre gostei de criança, juntei o útil ao agradável e vim. Eu cuido de um bebê, Patrick. Ele tem 7 meses. 

Por quanto tempo é o seu intercâmbio? Pretende ser au pair outra vez?

Meu intercâmbio é de 2 anos. Pensando hoje eu não seria AuPair novamente pois após esses 2 anos, quero começar a me dedicar na minha carreira.

 Qual é a melhor parte de ser au pair? E a pior parte?

A melhor parte de ser AuPair, pra mim, é ter que trabalhar olhando pra carinha mais fofa do mundo! Hahaha Não ter que aturar gente mal humorada, pois meu bebê está sempre sorrindo pra mim.
Fora que eu estou em um outro país, vivendo uma experiência incrível, aprendendo outra língua e viajando muito! Isso ninguém tira de mim. A parte ruim é a saudade da família no Brasil. Mas eu estou conseguindo lidar muito bem com isso, nunca foi um grande problema.

Você tem liberdade na casa da família, ou eles pegam no seu pé em alguma coisa?

Tenho total liberdade pra fazer o que eu quiser, mas claro, tenho bom senso!

A sua host family permite que você dê bronca ou imponha limites nas crianças enquanto estiver sozinha com elas?

Como cuido de um bebê, ainda não cheguei na fase de ter que impor limites. Mas meus hosts são pessoas que estão sempre dispostas a conversar, e sempre que eu proponho algo novo para fazer com o Patrick, eles aprovam. Acredito que quando ele ficar mais velho eu vou ter essa liberdade pra dar bronca sim.

Qual é a sua rotina e horários? A sua host family te pede para fazer hora extra? 

Eu trabalho de segunda a sexta das 8:30 as 5:30 e todos os meus dias são praticamente iguais! Meu bebê dorme bastante ainda, então ele tira umas 3 sonecas por dia de mais ou menos 1h30min cada uma e quando ele tá acordado, brincamos, saio pra passear com ele na rua e agora comecei a dar comida.  É bem tranquilo. Sim, já tive que fazer hora extra e todas foram pagas baseado no salário de uma babá aqui de San Francisco. Quanto as regras do programa, meus hosts seguem direitinho, e todas as vezes que eu tive que trabalhar a mais, eles pagaram sem eu ter que falar nada.

Já teve algum problema com a família? E se você não se adaptasse, dá pra trocar?

Graças a Deus nunca tive nenhum problema com a minha família, eles são incríveis e tudo que precisamos falar, conversamos numa boa! Se eu não me adaptasse eu conseguiria trocar de família. Mas eu teria 2 semanas pra achar uma nova família, se não achasse, voltaria pro Brasil. E pode troca de família 3 vezes só.

Teve algum medo ou já pensou em desistir?

Tive medo o começo, pois o Patrick era bem difícil de lidar. Acho que ele estranhou a minha presença nos primeiros dias, era muito complicado de colocar ele pra dormir e ele chorava sempre, o que é normal, pois ele só estava acostumado a ficar com os pais. Mas mesmo nesses dias em que ele ainda não estava acostumado comigo eu nunca pensei em desistir. Estava realizando um sonho e não iria desistir tão fácil!

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Agora que você já tem um pouco mais de experiência, tem alguma dica que considere importantíssimo pra quem tá chegando agora?

Acho que a principal dica é: nunca se esqueça de que eles não sao sua família! Sempre coloque na cabeça de que eles são seus chefes. Se eles fazem coisas além disso, agradeça, mas não espere isso sempre deles. Se não você pode se decepcionar quando eles não fizerem algo que você espera que eles façam. Outra dica é, faça amigos pois eles serão sua família aqui nos EUA! Viaje muito, saia bastante de final de semana, conheça lugares e pessoas novas e seja turistona mesmo! E por fim, tenha paciência!

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Por motivos óbvios, a família não aceita divulgação de fotos dos mesmo, mas com a entrevista já deu pra ter uma ideia de como funciona, né? Para acompanhar mais, visite o blog da Lari clicando aqui.

Eai, gostaram de conhecer um pouco mais da Lari? Tem alguma dúvida referente ao programa de intercâmbio dela? Se vocês gostarem, posso trazer entrevistas com outras au pairs aqui para o blog. Me contem nos comentários: já conheciam esse programa? Consegui te ajudar? Ficou interessada? Vamos compartilhar o assunto, e se alguém decidir ser Au Pair em Ny trate de me mandar um email avisando!

Para conferir de perto um intercâmbio na Nova Zelândia clique aqui.

E para saber quais destinos eu ainda vou visitar, clique aqui . Me conte o seu também!

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Já foi o tempo que viajar era algo impossível. Existem milhares de formas de se conhecer outros solos. O que cabe no seu bolso? Dá pra se organizar, deixar de comprar um sapato, em troca de um almoço durante a viagem. Mas hoje, a grande pergunta é: E quando o seu medo te faz ficar cada vez mais longe do seu sonho?

Eu nunca imaginei que pudesse visitar outro país. Morar, muito menos. Se você é curiosa, provavelmente já passou no sobre para me conhecer melhor. Lá eu conto a minha história, e que junto com esse post, pode te encorajar um pouco mais. E quer saber uma verdade? Pra mudar o seu futuro, não é preciso sorte. Você só tem que ter vontade!

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Muita gente diz que é complicado seguir um sonho quando alguém não concorda com a sua opinião. Talvez você queira ser astronauta, mas seu pai quer que você seja médico. E se você quiser ser astronauta, alguém vai aparecer e dizer que você não tem capacidade pra isso. Gente assim, existe em todo lugar. Até mesmo dentro de casa. Mas quer saber, porque eu to dizendo tudo isso? Porque eu não quero, nunca, que você se limite. Na cabeça da antiga Larissa, morar em outro país era coisa que não cabia na minha encarnação. E onde é que eu estou hoje? A pior coisa do mundo, não é quando alguém te aponta o dedo e diz que você não consegue. A pior coisa do mundo é quando você se olha no espelho e acha que não consegue. E eu to aqui pra te contar que você tem mais força do que imagina!

Sair da zona de conforto dói. Fazer as malas e dar um abraço de despedida na mãe também dói. Se a gente não sabe a data de retorno, pior ainda. Quando você troca de país o choque cultural é enorme. Você passa a reconstruir sua vida, perde alguns amigos e faz outros. A distância faz a saudade aumentar e, pior: você sempre vai ser estrangeiro. Você não nasceu ali. E por mais que ame aquele lugar, jamais será a sua verdadeira casa. Mas calma, não se apavore! Também tem vantagem: Se redescobrir é uma delícia. Desapegar de coisa velha e só levar o que é importante para a nova vida é saudável. O seu mundo fica maior e você percebe que estamos rodeados de possibilidades.

Pode parecer desesperador no começo. Muita gente vai te chamar de louca. De inconsequente. E se você tiver acima dos trinta, pode ter certeza que vai ser acusada de adolescente rebelde depois da idade. Mas ser adolescente é uma delícia. Dançar conforme a música é libertador. 

Não tem problema se você quiser estudar por anos, pra não usar nada daquilo no seu novo emprego. Se você preferir trabalhar numa profissão estressante, mas que te paga melhor. Ou se você escolher ser dona de casa e ter cinco filhos. Não tem problema! Se esse é o seu sonho, vá em frente! Mas, se o seu sonho ainda for ser astronauta, e você escolher outro caminho, não adianta tentar culpar alguém quando se sentir infeliz, porque o lápis que escreve a sua história está na sua mão! Qualquer situação nova dá medo. Mas fingir que ele não existe é tapar o sol com a peneira. Enganar a si mesmo. É limitar-se. E acima de tudo, é permitir que a sua vida seja em vão.

Mas me conta uma coisa: a criança que você foi, teria orgulho do adulto que você se tornou? E quando tudo isso aqui acabar? E quando você morrer? As vezes a gente precisa levar a vida um pouco menos a sério, e se entregar pro mundo, pras vontades e pros sonhos. Você não escolhe de onde você veio. Mas você pode escolher para onde quer ir. Se a sua vontade é trocar de país, aprender outra língua, ou seilá, atravessar a europa a pé, por que não?

E se quer uma dica de amiga: leia o livro O alquimista de Paulo Coelho. Prometo que ele vai te ajudar a não desistir dos seus sonhos. Seja forte. Você só vive uma vez!

Então me conta, nos comentários. Qual é o seu sonho? Pra onde você quer ir? Quem você quer ser? E, antes de tudo: o que é que você ainda está esperando?

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FINAL

Todas as fotos foram tiradas e cedidas pela intercambista!

O foco do blog sempre foi e sempre vai ser viagem. Não importa o que eu poste aqui relacionado a beleza, decoração ou sei lá, texto de amor. Eu sempre vou querer lembrar as minhas leitoras a importância de sair da bolha e conhecer novos horizontes. Seja ele por meio de uma tão sonhada viagem, pelo intercâmbio ou a trabalho. A ordem aqui é: Permita-se! Viaje! 

Pensando nisso, hoje trouxe uma entrevista com uma garota muito especial. Eu já conheço a Dhara há bastante tempo, desde bem pequena, mas a gente não se falava. Eu lembro de ter ido a um aniversário dela e só hehe. Mas, essa garota cresceu, e depois de terminar o ensino médio, resolveu ser intercambista na Nova Zelândia. Gente, vocês não sabem o tamanho do orgulho que eu tenho de pessoas como ela! Em primeiro lugar porque ela não deixou o medo ser maior que os sonhos que ela tem. E em segundo, porque foi alguém que eu conheci de pertinho e não só pela internet. (feliz)

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A entrevista: 

1- Por que você escolheu Nova Zelândia? Há quanto tempo está ai?
Li sobre vários países antes de realmente me decidir e escolhi a Nova Zelândia por 3 motivos básicos: Atualmente é o país mais seguro do mundo (JURO! zero preocupação ou stress em relação a segurança). As cidades estão entre as ”mais habitaveis do mundo”. Segundo, é um país muito novo, ou seja, tudo aqui é muito pratico e organizado. E, por fim, é o país dos esportes radicais, com paisagens de tirar o fôlego! Pensei: Taí, é pra lá que eu vou! hahah Moro a dois meses.

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2- Como sua família reagiu com a sua decisão?
Minha família me apoiou do começo ao fim. Meu pai, em principal. Ele correu atrás comigo, fez o possível pra me deixar confortável contando tudo o que sabia sobre a Nz. Não tivemos essa de “ah tadinha, vai ter que se virar”, pelo contrário, o que eu ouvi foi: Se joga mesmo!

3- Como é a cultura do povo na Nz (como eles recebem turistas no geral, etc)?
Amei essa pergunta porque realmente quero contar sobre o povo daqui! Os kiwi (chamamos assim, mas seria como dizer brasileiros), e os Maori (povo nativo, chamariamos de índios no br) convivem juntos, se tratam como iguais e mais, se respeitam. Alguns andam descalços na rua, não queiram saber o por que, mas andam haha Eles geralmente são muito saudáveis, praticam atividade física regularmente e, diferente de nós brasileiros, não ligam tanto pra roupa, classe social e estilo de vida. Qualquer um vai te ajudar na rua de caso você precise, e sem fazer cara feia! Ah, todos prezam muito estar com a família, fazer um almoço especial de domingo, levar os filhos pra brincar em parques/praias, coisas desse tipo.

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4- Quais foram os pontos turísticos que você conheceu até agora e que com certeza indicaria para alguém que quer ir para Nz?
Conheci uma praia que chama Cathedral Cove, onde foi filmado o ultimo filme de Nárnia. Hot water beach, que é onde podemos encontrar mini piscinas aquecidas por lava vulcânica e tudo que eu consegui visitar em Auckland. Eles tem um museu lindo! Recomendo. No final de semana de páscoa viajarei pra Rotorua, Taupo e Waitomo Caves, venho programando essa viagem a um tempo, só estava esperando a oportunidade certa. Lá o foco principal é conhecer a tribo Maori e provar da comida típica. Mas existem várias atividades (paraquedas, bungy jump, cavernas antigas, bares, entre outros)

5-Os passeios são feitos pela empresa que você contratou o intercâmbio ou com a família que te hospeda? Você pode sair sozinha?
Eu geralmente faço pela manatour, uma empresa turística daqui. Você pode escolher ir por agência ou por conta própria, mas ainda não me sinto confortável pra me aventurar sozinha por toda a Nova Zelândia, sem ter certeza sobre hospedagem, os melhores lugares pra conhecer, etc. A família me convida pra programas de final de semana, praia, parques, alguns eventos da cidade e festivais de bairro. Tenho a chave da casa, então tenho liberdade pra sair e voltar quando quiser, dormir fora ou viajar. Só preciso mandar sms dizendo o que eu pretendo fazer, pra onde vou e que dia volto. Eles são a sua família aqui, vão te tratar como filho. 

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6-Se você não se adaptar a família que vai te receber, tem algum processo pra mudar?
Sim (ainda bem). Não dei sorte com a minha primeira família e tudo que eu precisei fazer foi ir na minha agência e pedir pra mudar. Eles me deram um papel que eu precisava preencher e entregar pra minha host mother assinar. Lá continha meu nome, o nome dela, o motivo pelo qual eu decidi sair (ta liberado mentir pra ninguém ficar constrangido) e as nossas assinaturas. Depois que ela assinou, precisei ficar mais duas semanas na casa, isso é uma regra. Pra dar tempo da agência encontrar uma nova host family para mim e um novo estudante para eles.

7- Fazer intercâmbio é muito bom. E todo mundo acaba achando que é sempre tudo 100% ótimo. Mas, conte pra gente, quais são as partes ruins do intercâmbio ?
Cair em uma casa onde você não se sinta confortável e/ou feliz, isso sem dúvida é a pior! Mas nada que não possa ser consertado. Segundo, é a saudade de casa. Os primeiros meses são os mais difíceis, isso é fato, leva um tempo até que você consiga se acostumar. E isso que eu vou dizer é algo muito pessoal, uma coisa minha, nem todos se sentem assim. Eu sinto falta de viver rodeada por pessoas que de fato me amam, não que apenas me conhecem.

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8-  E a sua escola? As salas são mistas ou tem sala só pra estrangeiro?
Minha escola é o máximo!!! Tenho aula das 9 am até 11 am. E volto a 1 pm para estudar até as 3 pm. Ou seja, passo a maior parte do meu dia lá. Existem 5 níveis de inglês (beginners, elementary, pre intermediate, intermediate e upper intermediate), atualmente eu estou no pre intermediate. Divido a sala com pessoas do mundo inteiro, vai de russo, passa por coreanos e chega até a Argentina! Temos alguns brasileiros na escola também.

9-  O custo de vida é caro? Como foi o primeiro impacto? 
Na verdade, não. É 1 pra 1. Ou seja, se custa no Brasil 100 reais, aqui custa 100 doláres. Isso em relação a comida, roupas, bares, etc. Mas viajar pelo país é baratérrimo! Paguei 265 dólares em uma viagem de 4 dias, incluindo transporte, acomodação, as atividades e café da manhã. Mas lembrem-se, o lema daqui é: Quem converte não se diverte! hahaha Você passa a pensar em dólar depois de um tempinho.

10- Como funciona o seu intercâmbio? É por quanto tempo? O que tem incluso no seu tipo de contrato ?
Meu intercâmbio inicialmente é para durar 7 meses, minha passagem de volta esta marcada pra dia 27 de Agosto. A escola está paga por esse tempo também. Tenho visto de estudante e esse visto me da acesso a trabalhar 20 horas por semana (isso não é em todo país viu gente? apenas alguns oferecem). Moro em home stay porque isso foi uma opção minha, é melhor para praticar o inglês, mas você pode optar por dividir um apartamento, sai um pouquinho mais barato. Aqui na casa eu tenho direito a café da manhã e jantar, o almoço não é incluso porque não tenho tempo de voltar, então como alguma coisinha lá perto da escola mesmo. O wi-fi também não é incluso, pago 10 dólares por semanas. De resto, só posso dizer que me sinto em casa, nunca imaginei que um país pudesse funcionar tão bem girando em torno do bem estar de todos.

Confira mais fotos:

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Depois dessa entrevista, já entrou na minha lista de lugares que eu preciso conhecer!

Pra acompanhar a Dhara é só dar um pulo no instagram dela: @dntoledo

Me contem nos comentários se gostaram, ou se já tinham pensado antes em fazer intercâmbio pra lá. (muito feliz)  (lingua)

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