Minha primeira amiga americana estava sentada com o notebook sozinha, no canto da sala de espera. Eu e a minha cara de pau, precisavam entrar em ação, já que a merda do telefone publico não funcionou ne!
Com aquele inglês bem fuleiro e com mímicas, soltei: _ 

Com licença, você e de onde? _ 
Oi, eu sou de Ohio. _ 
Não consegui usar esse telefone, e preciso ligar para uma pessoa de NY. Você pode me ajudar? 
Claro, pode usar meu telefone por uma hora, fique a vontade.

Ufa! Deu! Família avisada, chorei chorei e chorei, depois de desabafar o aperto que tinha acabado de passar.

Devolvi o telefone, e com a maior cara de pau do século, disse que estava viajando ha mais de 7 horas e precisava falar com a minha mãe no Brasil,mas meu WIFI não funcionava. Ela entregou o notebook pra mim e disse que eu poderia usar. Que fofa cute linda vem pra eu te abraçar bem forte!
Depois de ambas as famílias avisadas, postei no facebook que tava viva, e pronto. Conversei mais um pouco com a Laura, nos adicionamos no face, e eu me despedi. Tinha uma hora para comer, ir ao banheiro e atravessar o aeroporto atrás do meu portão de embarque. Puta merda, pra que tao longe Jesus?
Finalmente me localizei, mas quando cheguei na sala de espera, tinha um painel gigantesco avisando: FLIGHT TO LATE.
LEGAAAAAAAAAAAAAALLLLLLLLL!!!!

Mais uma hora e meia de espera ate o avião sair. No primeiro voo do Brasil ate a Carolina do Norte, serviram café e almoço, e gente, QUE DE LI CI A! No segundo voo não tinha nada. bleeh..
O vôo saiu 15 min antes do previsto no painel de atraso. Do meu lado, tinha um americano chamado Shon. (Nem sei se escreve assim, whatever..) Preciso falar dele,porque fiquei admirada. Não e fácil encontrar por ai caras de meia idade com cara de novo, casado e que se importa com a família como ele. Digo isso, porque pude perceber que nos dois celulares tinha a foto de uma baby fofa, enquanto ele trocava de tela entre um e-mail e outro. Pouco antes de eu dormir, vi que ele pegou um livro que ensinava educar crianças, e pelo que eu entendi, ele abriu numa parte que falava que o pai era o Herói da filha. Achei fofo. Ele poderia estar fazendo N coisas, mas estava ali, lendo sobre como ser um bom pai. Gente, fala serio, não é lindo?
Quando chegamos a NY, eu vi aquela cidade de cima. Acho que era Queens. Foi então que eu percebi o como somos egoístas e insignificantes. Cada luz La embaixo era uma casa. Tinha também dois campos enormes futebol americano. Fiquei olhando fixamente para não me permitir nunca esquecer daquilo. Acho que todo mundo tem que ter a oportunidade de olhar a vida de cima alguma vez. E encantador e lindo. Quando diziam que viajar
Finalmente pousamos em NY, e tava um frio DO CASSETE, tenho que dizer. Não sei quantos graus exatamente, mas tava lá perto do 0, com certeza. Quando fui buscar as malas, pude ver Suzye, Eddie e Chris. Os três estavam me esperando com flores e um sorriso no rosto. Não sabia quem chorava mais, eu ou Suzye, minha host mom. Jordyn, minha “irmã” não foi me buscar no aeroporto, e a outra filha, e casada, e estava com as crianças em casa. Cheguei as 21 horas em NY, mas pro meu corpo, o fuso horário era de mais três horas. Estava, literalmente, morta.
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Hey guys! Decidi começar por este aqui, já que eu vendi meu celular e meu notebook para viajar, então, não tinha câmera para tirar fotos no aeroporto e aquela coisa toda. Então, me perdoem, o primeiro post desse conto de fadas vai ficar assim, sem sal e sem foto. Mas eu coloco tempero depois, certo? 


Bom sai da minha cidade natal as duas da manha, no domingo. A ideia era passar a segunda toda viajando, e chegar por volta das 21 horas em ny. Cheguei no aeroporto de Guarulhos as 5 e meia da manha, e o voo era as 9. Meu irmão ficou comigo algum tempo e depois foi embora. Fora aquela espera chata, não aconteceu mais nada nesse período. Fui ao Starbucks e fiquei jogada no sofá, como uma boa menina educada que sou, ate o portão de embarque abrir. Quando eu estava indo pra fila, vi um monte de perfume, e yaaayyy, tive que entrar. Eu não conheço marca nenhuma, nem brasileira nem americana, mas gostei de um cheirinho de uma tal de Ninna Ricci. E pasme, tava 24 dólares. Well, esse e’ meu! Levei, fui pra fila, entrei no avião, e ah, finalmente posso relaxar, certo? ERRADO.


Ia viajar por 7 horas ate a Carolina do Norte, esperar duas horas e  então ir pra NYC. Tudo isso seria facilmente feito se não colocassem um brasileiro do meu lado, mais curioso que a minha mãe (BEIJO MAE). O caboclo falava, e falava, e falava, e falava. Eu devo ter aguentado por umas 3 horas, respondendo “muito aham, e’, verdade.. aham.. ” e o bonito não se tocava… Ate que eu não aguentei, hehehe.

_Você fala bastante ne?
_ Eu? Falo?
_ Sim. Fala. Será que vc pode ficar quieto só um pouquinho por favor?
Recado dado, recado entendido, depois disso só ouvi a voz do mocinho quando o avião pousou. Thank you!

Já na Carolina do Norte, ia começar o meu inferno. O tempo todo eu disse desde o visto que não conhecia absolutamente ninguém nos EUA, e ficaria 32 dias em ny sozinha, treinando meu inglês. Não me perguntem por que, o medo era tanto, que achei que a desculpa de turismo seria mais fácil. Grave erro. A primeira entrevista ele não ficou convencido com a  minha resposta, colocou meu passaporte no saco e me deu um numero. Falou pra eu pegar as minhas malas e ir pra essa sala. Pronto. Foi o que bastou pra eu ficar sem ar, e perceber que todo mundo tinha passaporte, menos eu. Cool, very cool.

Cheguei na outra sala e um asiático bonitinho (POREM UM FDP TENHO QUE DIZER), me chamou. A entrevista foi toda em inglês minha gente, se vc pensa que eles querem te ajudar, esta muito enganado. E’ tipo, se fode ai no inglês meu filho, se vira. E lá fui eu ne’..

Enquanto ele perguntava, eu respondia exatamente as mesmas coisas. Ia a NY passar 32 dias treinando inglês, estava de ferias da faculdade e do trabalho, não conhecia ninguém, tinha hotéis reservados, dinheiro e bla bla bla. Depois de tudo isso comprovando que eu voltava, ele ainda queria saber como a minha mãe deixava a filha dela viajar com 19 anos pra Nyc, sendo que e’ perigoso. Eu olhava pra ele tremendo inteira, mas minha mente só conseguia gritar: PUTA QUE PARIU QUE RAIO DE FALTA DE TEMPO E’ ESSA?? ME DA 3 MESES DE VISTO, ME DEIXA PASSAR E NUNCA MAIS VC VAI PRECISAR OLHAR NA MINHA CARA, %^#%$#%^#@.

Ai, apareceu outro fiscal, dessa vez loirinho, olhou minhas reservas, falou algo baixinho no ouvido do asiático. O cara se virou, olhou pra mim e disse, ok, pegue suas malas e vai por ali. Imediatamente fiz isso, sem olhar o passaporte, pensando, e agora? É sim ou não? Nem cheguei nos EUA e já to odiando, bleeh..

Passada a porta do sufoco, ufa! Eu tinha um passaporte com um visto, porem, como alegria de pobre dura pouco, pouquíssimo, era de 31 dias. COOOOLLL!! VALEU ASIATICO!

Mais não podia reclamar ne?
Fui para a outra parte do aeroporto, comprar fichas pra ligar pra minha família americana e avisar que eu tinha passado a imigração. Gastei dois dólares pra nada, maldito telefone estranho. Não dava pra ligar naquilo gente, serio! Foi então, que uma alma boa apareceu. O nome dela era Laura. Minha primeira amiga americana.

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FOTO GOOGLE

Devo ter ficado uns vinte minutos olhando para o word em branco, antes de desistir e chegar até aqui. Deve fazer uns três meses desde que escrevi pela última vez. Mas aos poucos, a minha ficha vai caindo, e hoje, depois de passar o dia todo enrolada no edredom, assistindo filmes e ouvindo o barulho da chuva la fora, me deu uma vontade imensa de colocar pra fora essa confusão aqui dentro. Mas, percebi que não importava por quanto tempo eu ficasse aqui, tentando ligar palavras bonitinhas pra escrever um texto qualquer.. seria em vão. Foi ai que deixei a cabeça e o coração livre.

Quando eu tinha 15 anos, deixei minha cidade natal com uma mochila nas costas para morar no interior com a minha irmã. Escola nova, amigos novos, e problemas novos. Ingenua, acreditei que deixando tudo pra trás, as coisas seriam diferentes, as pessoas me aceitariam e eu poderia ser eu. Quatro anos se passaram, e, eu sempre me culpei por ter saído de la. E agora eu to aqui. Pensando nas coisas que eu vou sentir saudade. 

O lanche daquele carrinho perto da faculdade é maravilhoso. Ja falei sobre ele? Comi ontem pensando quando vai ser a próxima vez que vou encontrar alguém que faça um tão bom quanto. Vou sentir saudade, ah vou. Sabe aquela igreja no centro daquela -quase- cidade? Sim, aquela que bate o sino de hora em hora? Sim, vou sentir falta também.Tenho certeza que hora ou outra vou sentir falta de correr na minha praia favorita, perto da minha antiga casa no litoral. Vou sentir falta da minha primeira escola. Da minha melhor amiga. Até do caos que fica Ubatuba durante as férias e feriados. Vou sentir saudade do meu quarto, todo bagunçado. Das minhas horas pedidas, das vezes que eu tive que correr atrás do ônibus do trabalho. Ah! O trabalho. Vou sentir saudade até daquela arrogante da secretária. Quantas risadas eu pude dar, quantas brigas eu arrumei, quanto problema eu resolvi.. Sou grata por ter tido a oportunidade de passar esse tempo por lá. Pobres colegas.. Faltam 14 dias, para tudo mudar, e eles nem se quer sabem!

Ah, mãe.. me perdoe.  De verdade, me perdoe. Talvez você só entenda em alguns meses, mas.. eu sei que um dia vai entender.

 

Pois bem.. me despeço todos os dias. Hoje me despedi da chuva. Amanhã, vou me despedir do cara da luz. É, aquele senhorzinho que vive reclamando que nunca tem ninguém em casa para ele trabalhar e coletar os dados. Na terça, posso dar bom dia ao vizinho, que ja me salvou N vezes nas minhas horas em atraso. Na quinta, posso agradecer ao lixeiro por sempre levar tudo e não deixar as coisas jogadas na calçada. E assim, eu vou vivendo por duas semanas. Aproveitando cada segundo aqui, uma vez que não sei quando vou voltar. Não tenho medo, nem dúvida alguma. Do outro lado do portal, tem uma outra vida me esperando. Tem alguém para segurar a minha mão, rir das minhas palhaças, e me proteger dos meus medos. Pode ser que ainda, nada mude. Que algumas pessoas não gostem de mim, que eu não tenha todos os problemas resolvidos só porque mudei de endereço.. mas.. agora, é diferente. Duas semanas, um avião, algumas horas, e então, welcome, new life. 

 
 
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