Ainda lembro de como minha mãe reclamava quando eu passava o dia todo no facebook “sem fazer nada”. Mas hoje, mãe, eu tenho que discordar de você, e explico:
Um dia desses eu estava ociosa pelo facebook, e dei de cara com um compartilhamento de uma amiga. Era um texto grande até, e eu tenho que confessar que detesto ler coisas grandes demais. Mas, não sei por qual motivo, me interessei em ler aquilo. E a cada linha, queria mais ainda saber o final da história. Foi escrito no face da Renata, uma jornalista que mora na África. Lá ela contou como conheceu um taxista chamado Mike Black Tie, e de como é o sentimento daquele que ainda sofre com o preconceito.
Dei um pulinho no perfil da Renata Galvão e depois de algum tempo, me dei conta que tinha passado boa parte da minha tarde vendo fotos e lendo os relatos dela na rede social. Depois de ler tudo aquilo, tive certeza, de que deveria compartilhar isso com outras pessoas. E hoje eu to aqui, escrevendo esse post. 
 
 
 
É patético pensar que, eu me encantei tanto, que enviei uma mensagem para ela pedindo pelo amor de Deus seja minha amiga no facebook. Pode ser bobeira para você, mas para mim, era grandioso ter alguém como ela na minha rede social. A oportunidade de acompanhar de perto um continente chamado África, que até então, eu só conhecia de ouvir meu professor de história falar que era um lugar com muita pobreza e desigualdade. As vezes a gente não tem noção do tamanho dessas desigualdades. Depois de conhecer um pouco mais sobre tudo isso, me deu um aperto no coração. Meu deus como eu sou egoísta! Vem conferir comigo e se apaixonar também. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A história que vou contar hoje, se passa em Khayelitsha, a segunda maior favela, e fica a 40 km da capital. Fundada na década de 50, quando o governo sul africano decretou que as pessoas deveriam morar de acordo com a cor da sua pele. Assim nasceu Khayelitsha,  rotulada como “área para negros”. A Renata conta que em 1994, com o Mandela no poder, essa lei para divisão de espaço entre cores foi derrubada junto com o apartheid, porém, devido aos problemas ecônomicos e sociais, milhares de pessoas continuavam morando lá. Mais tarde, ela descobriu que Khayelitsha abriga mais ou menos 400 mil pessoas, e o significado do nome é “casa nova”. 
 
No seu ensino médio e nos livros de história, com certeza você deve ter escutado algo sobre pobreza, desigualdade social, HIV e favelas africanas. No meio disso tudo, são mais de 5 milhões de pessoas infectadas com o vírus da Aids na África, e são mais ou menos 3,7 milhões de órfãos no país. Esses números assustam, não é ?
 
Nas idas e vindas da vida, a Renata recebeu uma ligação de uma amiga sul africada que é envolvida com projetos sociais e comunitários. Ela precisava de alguém para dirigir até Khayelitsha. E foi assim que ela conheceu a Mama. As mamas são mulheres que dedicam a vida para cuidar de crianças, e, reconhecidas pelo governo como ONG, abrigam em seus lares e corações todos os menores em situações de risco. Chegando no local, depois dos comprimentos, a mama percebeu que a Renata estava com um pouco de febre, resultado de uma dor de garganta, e, mesmo sem conhecê-la, prontificou-se em cuidar dela. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Depois que conheceu a Mama, a Renata nunca mais deixou de ir lá. 
As pessoas pintam as favelas como um local monstruoso, sabe? E não é verdade. Claro que as estatísticas criminais são maiores lá, por questões sociais e econômicas, mas existe muita vida, muita festa, uma energia positiva demais. Nossa, as melhores festas que fui na minha vida foram nas favelas aqui.”


























O local que a Mama e suas crianças moram atualmente, é bastante precário, com um quarto para ela e todos os pequenos, e o material da casa é feito de zinco, que no inverno, torna o ambiente gelado e colabora nas enchentes e alagamentos. Sem contar que a Mama costuma ficar a noite acordada, para ajudar as crianças que precisam ir ao banheiro, pois este fica fora da casa. Dá pra imaginar? 

E foi ai, que a Renata se juntou com outras duas amigas envolvidas no projeto, a Gabriela Guerra e a Silvia Kihara. A ideia? Construir uma casa de concreto para abrigar esta grande mãezona e seus filhos de destino. 

Nasceu então o #casaparamama.

 

 
 
 
 

























O projeto era arrecadar R$ 12.500 reais para dar uma casa nova para a Mama. Sabe o que é mais legal? Que 269 pessoas participaram, e no final elas conseguiram arrecadar 27 mil reais! Demais né? Agora a Mama vai poder ter um cantinho muito melhor para abrigar seus filhos. 
Esta é a antiga casa da Mama. A notícia boa é que no próximo dia 8, sábado, esse lugar da foto vai ser derrubado  e no terreno vazio, será construída uma casa de concreto. A Renata postou no facebook contando sobre a reação da Mama ao receber a ligação, sobre a novidade:
– A prefeitura aprovou o projeto da casa, Mama! As construções vão começar!
– Haibo, sisi! Yo!!!!
– Sim, Mama!
– (soluços, suspiros)
– Haibo, Mama! Este é um momento feliz, nada de choro!
– Nunca acreditei que um dia eu teria uma casa de concreto. Já imaginou dormir e não se preocupar com a possibilidade de o teto desabar por causa do vento? Agora eu não preciso odiar a chuva, sisi! Eu odeio a chuva, pois quando chove alaga tudo. Lembra daquela madrugada que passamos 1 hora tirando a água da casa com baldes?
– Lembro, Mama.
– Quando chover e eu estiver na minha casa nova vou tomar banho de chuva e sentir o cheiro da terra molhada. A partir de agora chuva não vai mais ser um problema, sisi! Meu Deus! Que felicidade!

Juro que quando li essa conversa, eu não sabia o que pensar. Esse tipo de coisa me fazer rever os meus conceitos, e as coisas que eu me importo. A Mama Sylvia tem 62 anos, e eu tenho certeza que ela tem muita história de luta para contar. Mas ela não desistiu nem por um segundo. Ai, apareceram anjos em forma de pessoas para ajudar. Desde a Renata e suas amigas que tomaram a iniciativa, até quem se dispôs a colaborar com o dinheiro para construição da casa. As vezes a gente se preocupa com coisas tão pequenas! Quanta gente usa o nome de Deus todos os dias para pedir mais. É sempre pedir, pedir e pedir. E esse post foi feito pra agradecer. Que tal sair do post, refletir um pouco sobre a sua vida até onde você chegou e agradecer?

Para quem quiser acompanhar um pouco mais sobre a Renata, Mama e as crianças, ela vai abrir um espaço para fazer jornalismo independente. Acompanhando, você pode saber como ajudar mais estas e outras pessoas. Mas aqui, vou disponibilizar o facebook, onde ela conta as vivências dela, assim você pode seguir e ficar por dentro de tudo, e o blog da campanha casa para a mama. 


Facebook: clique aqui
Site da campanha: clique aqui
16 Comentários

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  1. mar 05, 2014

    É por essa e mais outras que eu ainda acredito na humanidade… Por muitas vezes me pego pensando se ainda existe solução para o humanos… E ai esta a resposta… A Renata esta fazendo a parte dela… e isso me orgulha demais… Ainda é uma minoria, mas é esta minoria que faz a diferença… Parabéns a ela e a vc por compartilhar com a gnt essa história real com final feliz…

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    Larissa Bés Respondeu:

    Exatamente! Algumas vezes eu deixo de acreditar, ai aparece pessoas como essas para me fazer pensar que tem futuro sim! Eu me encantei tanto, e disse a ela que, ajudar a Mama eu não posso, mas posso compartilhar essa história aqui, e a minha parte em casa eu faço. Não custa fechar a torneira pra escovar os dentes, apagar as luzes quando não estão sendo usadas e afins ne? Pode não ajudar a Mama, mas ajuda nossos filhos e netos no futuro!

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  2. mar 05, 2014

    O post ficou sensacional. Adoro ler essas histórias e também passar a crer mais na humanidade.Assim que eu puder também pretendo abraçar uma causa como essa <3

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    Larissa Bés Respondeu:

    Jura Sabrina? Gostou mesmo? Que delícia ler isso! Deu um trabalhão, e são esses comentários que fazem meu trabalho valer a pena! Obrigada pelo comentário,e se você não pode abraçar uma causa como essa ainda, procure cuidar mais da natureza, do lixo, da luz, da água e de tudo que nós temos hoje. Isso vai ajudar, lá no futuro, eu sei que vai! Beijo.

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  3. mar 05, 2014

    Lendo posts assim me faz ter mais vontade de fazer um trabalho voluntário + intercambio. A moda é ir para cidades ~tops~ mas acho que pelo menos uma vez na vida fazer um intercambio onde você além de se ajudar está ajudando alguma pessoa deve ser muito gratificante! Adorei o post. ♥

    http://girlbeinggeek.blogspot.com.br/

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    Larissa Bés Respondeu:

    Oi Karol! Exatamente. Essa foi a proposta do post, mostrar que nem tudo é Paris e New York. Eu já ouvi falar de intercâmbios voluntários para a África, zoológicos e tal. É uma coisa bem legal também né? Eu gostaria de fazer isso um dia! Obrigada por ler e comentar, beijão.

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  4. mar 06, 2014

    Uma vez quando tava atoa no face, vi que você tinha curtido a postagem do taxista. Eu comecei a ler e até compartilhei. Depois daquele dia vivo no face da renata, principalmente quando preciso de um choque de realidade. Parabéns Lari, e siga em frente porque você é maravilhosa mulher!

    beijoooos <3

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    Larissa Bés Respondeu:

    Oi Thamyyy!! Entãaao cara, foi nesse dia mesmo que eu conheci a Renata no facebook. Eu entro todo dia também. Você viu sobre o post do café no dia da mulher? Bah, fiquei de cara.. Mas, que bom que você conheceu ela, seja pelo facebook que eu compartilhei ou pelo blog, o importante é passar a informação, não é mesmo? Obrigada, de verdade, eu sempre te vejo comentando aqui no blog e vc não sabe o quanto isso é gratificante!

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  5. mar 06, 2014

    É lendo coisas assim que eu me convenço de que ainda existem pessoas de bom coração no mundo. Post incrível, história incrível! As vezes não da pra imaginar né? Nunca damos tanta importância com o outro, ainda mais se este outro estiver em outro continente mas lendo esses tipos de coisa, nos damos conta do quão egoístas somos! Adorei demais Lari <3 <3 <3

    http://www.voamari.com

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    Larissa Bés Respondeu:

    Ai, que delicia ler isso e saber que você gostou do post Mari! Eu sabia que tinha que por isso pra frente ehhe. Pois é, eu tinha noção do que acontecia pelo que eu via na televisão ou o meu professor na escola falava, mas essas situações contadas por pessoas de carne e osso feito nós, onde não tem manipulação nos pontos e vírgulas é que dão emoção e choque de realidade. Quando a gente viaja, descobrimos que somos pequenos demais perante aquela imensidão lá embaixo, e a intenção do post era fazer leitoras como você viajar até a Africa e se dar conta de como não somos nada nesse mundo, e o nosso egoísmo só nos torna pessoas piores. Que bom que você gostou, de verdade! Obrigada mesmo, beijo.

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  6. mar 06, 2014

    Chega desceu as lágrimas, fico apaixonada por pessoas que preferem agir em vez de falar. O mundo precisa desse tipo de pessoas se não ele nunca vai mudar.
    🙂

    http://nicoleregiane.blogspot.com.br/

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    Larissa Bés Respondeu:

    E não é Nicole? Eu vejo tanta gente falar que quer fazer, e que, muitas vezes tem condições de ajudar, mas se preocupa com outras coisas.. ai me deparo com essa história. As vezes a gente não ajuda porque realmente não pode, mas se pudéssemos cuidar do nosso lixo, dos bens naturais e tal, ja seria um grande passo na humanidade.

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  7. mar 07, 2014

    chego em casa cansada, depois de ver tantas coisas ruins acontecendo e me deparo com um post desse, como não chorar? parece que minhas forças se renovaram depois de ler isso, aquela vontade de continuar a ajudar o mundo, se cada um fizesse sua parte, o mundo não estaria como está, adorei seu post lari, o mundo precisa de mais pessoas assim.
    http://www.doisladosdoamor.com/

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    Larissa Bés Respondeu:

    Oi Geo! Ai que delicia ler isso, sabia? É tão bom saber que de alguma forma eu toquei seu coraçãozinho também. Espero que esse post percorra muitas telas de computador ainda, para mostrar para outras pessoas que sempre existe alguém com muito menos mas muito mais feliz porque dá valor a pequenas coisas. Realmente o mundo precisa de mais gente assim, ou que de alguma forma, cuida do que tem enquanto o tem. Beijo!

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  8. mar 22, 2014

    Oi Larissa! Tudo bem? Estou há mais de uma hora lendo seus post, sua história, (sua loucura mulher de Deus, como assim foi conhecer o namorado em outro país??! haha ok, tá perdoada porque procurou a casa dele no google…hahaha) e estou adorando seu cantinho! Como que não conheci seu blog antes? Adorei, serio. Mas até então eu não tinha comentado em nada…até que caio nesse post maravilhoso que me fez escorrer lágrimas! A África e a realidade do continente parece tão distante da gente né? Incrível a história da Renata, parece aquelas coisas de filme… (sabe Comer, Rezar e Amar? Lembrei da casa pra Tutti!) Enfim. Ler esse post ao invés de estar fazendo trabalhos da faculdade me fez sair com uma sensação muito boa daqui. Então, obrigada!
    te convido pra quando puder/quiser/tiver tempo ou nada pra fazer conhecer o blog que estou criando com meu namorado. :p http://www.pesviajantes.com.br Beijos beijos!

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    Larissa Bés Respondeu:

    Oi Thuany! Tudo bem e com você? Uma loucuraaaaaa, babado menina hahahahaha… to perdoada? Ufa, obrigada!!!! Que óoootimo que gostou do meu cantinho! Ele tá simples ainda, mas prometo que na próxima semana o layout novo entra com sorteios e muitas novidades! E como assim a senhora não tinha comentado nada hein?? Leitora fantasma não vale, nas próximas vezes me conte o que tem achado do blog, assim ele melhora sempreeee.

    Quando ao post sobre a África, ta vendo que delícia que é ler esse tipo de coisa?Deixa a gente inspirada e louca de vontade de aproveitar cada segundo da vida (EEE DE QUEBRA) ajudar o próximo. Eu ainda não assisti esse comer rezar e amar, mas vou ver e te conto depois. A história da Renata é linda e tudo aconteceu bem por acaso.. mesmo assim ela não deixou ser apenas uma visita e mostrou para o mundo (inclusive a mim) que vc pode não conseguir mudar o mundo, mas para aquela pessoa que vc ajudou, o mundo vai mudar. Lindo ne? Muito, muito, muito obrigada por ler e comentar aqui, espero que você volte outras vezes e saia com a mesma sensação gostosa que saiu da outra vez. Um beijo, até a próxima lindona!

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